Tesouro perdido por brasileiro tem até prêmios de loterias

2002201710

Fonte: O Tempo

A universitária Yasmin de Meira, 29, está ansiosa para resgatar cerca de R$ 400 da conta inativa do FGTS. “Vou usar para investir em meu projeto de conclusão de curso de designer de produtos”, conta. Esse dinheiro totalmente inesperado é uma surpresa que vai ajudar pelo menos 30 milhões de brasileiros, que devem sacar R$ 30 bilhões. Nem todos terão a sorte de Yasmin de poder contar com um dinheiro extra, mas, além do FGTS, existem muitos outros tesouros esquecidos por aí.

Só de moedinhas, aquelas perdidas em fundos de bolsas e trancafiadas em cofrinhos, existem quase R$ 2 bilhões fora de circulação. Até prêmio de loteria as pessoas se esquecem de resgatar. Segundo dados da Caixa Econômica Federal, no ano passado R$ 22,46 milhões deixaram de ser buscados, considerando todas as loterias. O ganhador tem até 90 dias para buscar o prêmio. Quando isso não acontece, o dinheiro é repassado para o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Só para se ter uma ideia, com exceção da Federal, as demais loterias sortearam R$ 4,3 bilhões em 2016.

Tem ainda os abonos do PIS/Pasep. Em dezembro do ano passado, 935 mil trabalhadores ainda não tinham buscado o benefício de um salário mínimo referente a 2014, o que na época totalizava R$ 822,8 milhões.

Mesmo para quem não tem nem abono, nem prêmio esquecido ou saldo em conta inativa, ainda há um segredo para achar uma graninha extra. Segundo o ‘coach financeiro’ Leonardo Batistella, um dos fundadores do site Jornada do Dinheiro, o maior tesouro pode estar mais fácil de ser descoberto do que se pensa: nos próprios gastos. Ele afirma que, se pelo menos uma vez por ano as pessoas se sentassem para esquematizar suas despesas e receitas, veriam para onde seu dinheiro está indo. “Infelizmente, acredito que só 15% das pessoas façam orçamento doméstico. Imagina um cafezinho todo dia? Acredito que essas despesas desnecessárias consomem de 10% a 15% do orçamento, que poderia ser economizado se cada um fizesse as contas”, destaca Batistella.

Um cafezinho custa em média R$ 1. Considerando um por dia, de segunda a sexta-feira, são R$ 20 por mês e R$ 240 por ano. “É claro que cada caso é diferente, mas, quando calculamos esses gastos desnecessários ao fim de um ano, conseguimos ver o quanto pesam”, diz. Vasculhar as contas de telefone e os contratos de tarifas bancárias são outros atalhos para achar vazamentos nas finanças. “É muito comum as pessoas contratarem pacotes com serviços superiores aos que realmente usam. É sempre bom avaliar e negociar.”

Moedinhas

Sem girar. Até o momento, o Banco Central emitiu R$ 6,2 bilhões em moedas. Estimativas do Banco Central calculam que cerca de 30% estão fora de circulação, o que daria R$ 1,9 bilhão.

FGTS

Dívidas e reserva vêm primeiro

Dos R$ 43,6 bilhões que estão parados em contas inativas no FGTS, o governo espera que pelo menos R$ 30 bilhões sejam sacados com destino ao consumo. Mas, com o endividamento em alta, as contas não devem ser exatamente assim. “Para quem tem algum tipo de dívidas, a prioridade deve ser ficar livre delas. Já aqueles que não devem nada, podem usar esse recurso extra para começar uma reserva de emergência, um ponto de partida para continuar a economizar depois”, afirma o professor de ciências contábeis do Ibmec Bruno de Araújo.

Ele destaca que a aposentadoria é outro caminho importante. “No cenário em que vivemos, se aposentar é algo cada vez mais distante, com um benefício cada vez menor. Então, é uma boa oportunidade para aplicar o saldo do FGTS”, alerta.

O consumo é a última opção indicada pelo economista. “É claro que cada caso é um caso. Normalmente, os conselhos são para economizar. Mas, se a pessoa não tiver dívida e já tiver alguma reserva, deve usar pelo menos parte para comprar algo que deseja”, afirma. (QA)

CAIU DO CÉU

FOTO: MARIELA GUIMARÃES
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Yasmin de Meira encontrou R$ 400 no saldo da conta inativa

“Eu pedi para sair de um emprego em 2013, para participar do Ciência sem Fronteiras, e fui para China. Vai ser muito bom retirar o saldo da conta inativa do FGTS, que pretendo usar em meu projeto de conclusão de curso ou, quem sabe, aplicar no Tesouro Direto.” Yasmin de Meira, 29, universitária

 

Delação da Odebrecht cita R$ 7 mi a ministro da Indústria

200220179

Fonte: O Tempo

BRASÍLIA. O ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira, negociou um repasse de R$ 7 milhões do caixa 2 da Odebrecht para o PRB na campanha de 2014, segundo depoimento que integra a delação da empreiteira na Lava Jato. Os recursos, entregues em dinheiro vivo, compraram apoio do partido então presidido por Pereira à campanha de reeleição de Dilma Rousseff, que tinha Michel Temer como vice.

O dinheiro dado ao PRB fazia parte de um pacote maior, que envolvia também o apoio de PROS, PCdoB, PP e PDT à chapa governista. Ao todo, a Odebrecht colocou cerca de R$ 30 milhões na operação. O acordo é descrito, com diferentes pedaços da história, nas delações de Marcelo Odebrecht, ex-presidente e dono da empreiteira, e dos executivos Alexandrino Alencar e Fernando Cunha.

Sexto ministro de Temer citado na Lava Jato, na época Pereira tratou pessoalmente do assunto com Alexandrino, um dos 77 executivos da Odebrecht que fizeram acordo de delação já homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com as delações, Pereira esteve mais de uma vez na sede da Odebrecht em São Paulo para combinar como e a quem o dinheiro, entregue em parcelas, deveria ser repassado.

O ministro rebate as afirmações dos delatores. “Eu desconheço essa operação. Comigo não foi tratado nada disso”, disse. “Delação não é prova.” Presidente licenciado do PRB, Marcos Pereira é homem forte no partido fundado por integrantes da Igreja Universal do Reino de Deus após o escândalo do mensalão.

O apoio do PRB e dos outros quatro partidos garantiu à chapa Dilma-Temer dois minutos e 39 segundos a mais na propaganda eleitoral de televisão – totalizando mais de 11 minutos, ante apenas seis minutos de Aécio Neves, o candidato do PSDB. O PRB recebeu R$ 7 milhões em troca de 20 segundos por dia de campanha.

Segundo os relatos dos executivos da Odebrecht, a empreiteira agiu a pedido de Edinho Silva, então tesoureiro da campanha de Dilma e hoje prefeito de Araraquara (SP), realizado num encontro com Marcelo e Alexandrino em São Paulo. Feito o acerto, de acordo com os depoimentos, Alexandrino ficou encarregado de fazer com que PCdoB, PROS e PRB recebessem R$ 7 milhões cada um do departamento de propinas da Odebrecht. Fernando Cunha mandou R$ 4 milhões para o PDT.

Edinho Silva nega o acerto com a Odebrecht. “Não participei de tratativas com os partidos”, afirmou. Procurada, a Odebrecht informou que não iria se manifestar.

Os relatos de que houve compra de apoio partidário para a campanha Dilma-Temer poderão ser analisados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no processo que investiga abuso de poder político e econômico na campanha.

Sombra

Risco. Além de Pereira, também foram citados na única delação da Odebrecht cujo o conteúdo foi vazado os ministros Eliseu Padilha, Moreira Franco, José Serra e Gilberto Kassab.

OUTRO LADO

Posição. O ministro da Indústria e presidente licenciado do PRB, Marcos Pereira, “nega veementemente” ter recebido dinheiro em troca do apoio do partido à chapa Dilma Rousseff-Michel Temer em 2014.

Resposta. Questionado se havia encontrado com o executivo Alexandrino Alencar, Pereira primeiro negou, depois falou que foi pedir doações para a campanha de Marcelo Crivella a governador do Estado do Rio. “Ele disse que poderia doar para o Crivella, mas que o Crivella não aceitava doação de empresas. Nem sabia que o Crivella não queria”, disse.

 

ESCANTEIO

Desânimo toma conta de delatores

FOTO: JUNIOR PINHEIRO/ESTADÃO CONTEÚDO – 12.5.2015
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Pedro Corrêa não conseguiu entregar provas cabais do que contou

RIO DE JANEIRO. Réus que desde o ano passado tentam fazer acordo de delação premiada com a Lava Jato estão sem perspectiva de terem colaborações aceitas pelo Ministério Público Federal (MPF), depois da delação da Odebrecht.

Presos na carceragem da Polícia Federal em Curitiba justamente para facilitar as conversas com procuradores, o ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque, o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, e o operador de lavagem de dinheiro, Adir Assad, estão fora da agenda de negociações dos procuradores. Até mesmo o ex-presidente do PP Pedro Corrêa (ex-PP-PE), que prestou depoimentos mas teve a homologação de delação recusada pelo STF está sem prazo para retomada de conversas sobre sua colaboração.

Há vários motivos para a pausa nas negociações: há casos de réus que apresentaram informações consideradas insuficientes pela Lava Jato para ensejar uma redução de pena, outros tiveram problemas no curso da negociação, como vazamentos e falta de comprovações de fatos narrados. Segundo agentes que atuam na PF em Curitiba, o clima na carceragem é de desânimo.

EMPREITEIRAS

Operação trava venda de ativos

SÃO PAULO. As incertezas sobre novos desdobramentos da Lava Jato, que apura corrupção na Petrobras, estão emperrando a venda de ativos de grandes empreiteiras envolvidas nas investigações. Em conversas adiantadas com a chinesa China Communications Construction Company (CCCC), as negociações entre a Camargo Corrêa e a gigante asiática pararam diante de um impasse: a falta de segurança jurídica para blindar a chinesa de heranças decorrentes das investigações da Lava Jato.

Também é o caso da Odebrecht Ambiental, do grupo Odebrecht, que foi negociada com a canadense Brookfield. O fundo se comprometeu a comprar 70% da empresa, mas aguarda os processos de delação e leniência do conglomerado para concluir o negócio. “O risco é que a punição se estenda a todas as empresas do grupo. Se não se sabe o valor da multa, fica difícil fechar o preço”, disse um advogado que acompanha negociações.

No caso da Camargo Corrêa, que desembolsou um total de R$ 804 milhões por participação em cartel, fraude e corrupção, a empresa não encontrou dificuldades para vender a Alpargatas, em 2015, e a CPFL, no ano passado, por exemplo. Mas as conversas entre os herdeiros da terceira geração da família, que assumiram o comando dos negócios no ano passado, e a chinesa CCCC, representada no Brasil pelo banco Modal, foram interrompidas no fim do ano.

Além de procurar um sócio minoritário para a Loma Negra, da InterCement, braço do grupo no setor de cimento, a Camargo também pode vender a participação de 50% no Estaleiro Atlântico Sul. O empreendimento, em sociedade com a Queiroz Galvão, tem uma dívida de cerca de R$ 2,5 bilhões e está em reestruturação.

Governista Lenin Moreno lidera eleições presidenciais no Equador

200220178

Fonte: O Tempo

O candidato governista de esquerda Lenin Moreno lidera, segundo várias pesquisas de boca de urna, a eleição presidencial realizada neste domingo no Equador, crucial para a combalida esquerda latino-americana.

O ex-vice-presidente Moreno, que aspira a suceder Rafael Correa, teria entre 36% e 43% da votação, enquanto o ex-banqueiro de direita e opositor Guillermo Lasso teria conseguido entre 26% e 31%.

Para vencer no primeiro turno, Moreno requer 40% dos votos válidos e uma diferença de dez pontos sobre o segundo.

Após conhecer o resultado das pesquisas, Lenin Moreno comemorou diante dos simpatizantes do movimento Aliança País (AP) em um conhecido hotel do norte de Quito.

“Vencemos as eleições por lei justa (…) Mais tarde, estarei atento aos resultados definitivos que dê ao Conselho Nacional Eleitoral”, exclamou Maduro em meio a aplausos.

Simultaneamente, no Centro de Convenções de Guayaquil (sudoeste), capital econômica do país, o conservador Lasso gritou eufórico: “Há segundo turno”.

Segundo o CNE, os resultados oficiais destas eleições-gerais, nas quais também são escolhidos o vice-presidente, 137 deputados e cinco representantes no Parlamento Andino são aguardados a partir das 20h00 locais (22h00 de Brasília).

Marcadas pela delicada situação econômica e por uma campanha eleitoral incomumente insípida, empobrecida por acusações de corrupção, estas eleições são, segundo as pesquisas, as mais disputadas e com maior número de indecisos dos últimos anos no país andino.

Nas eleições gerais de 2009 e 2013, Correa venceu com folga no primeiro turno.

“Uma eleição diferente”

Mas a ausência de Correa, um carismático e polêmico economista que desde 2007 liderou o período mais estável da história recente equatoriana e uma castigada economia após o fim da bonança petroleira, que serviu para modernizar o país e elevar seus índices de desenvolvimento, deixaram o correísmo desgastado.

O cientista político Simón Pachano, professor da Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais (FLACSO), adverte que os resultados de um segundo turno nas eleições equatorianas foram surpreendentes.

“O Equador é o país onde mais vezes ocorreu reversão do resultado de primeiro turno”, explicou à AFP.

Os equatorianos votaram muito condicionados pela deterioração econômica, produto, segundo o governo, de fatores externos, como a queda do petroleiro, a desvalorização de moedas vizinhas, o fortalecimento do dólar ou os custos com o terremoto de abril passado.

A oposição, ao contrário, viu uma possibilidade de atiçar o descontentamento das classes médias e baixas, que falam em esbanjamento e má gestão.

Moreno, cujo estilo conciliador contrasta com o temperamental Correa, representa a continuação de um sistema que combina um disparado gasto social, altos impostos e um endividamento elevado.

Lasso promete fomentar o investimento estrangeiro, diminuir os impostos para estimular o consumo e a produção.

“Independentemente de quem chegar à presidência se tornará o coveiro do socialismo do século XXI (como o governo de Correa costuma ser chamado), porque já não é viável com esta realidade econômica. Terá que fazer ajustes de uma maneira ou de outra”, explica à AFP o economista Alberto Acosta-Burneo, consultor do Grupo Spurrier.

Assange e a esquerda

O resultado deste domingo pode ser decisivo para o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, a quem o Equador mantém asilado em sua embaixada em Londres desde 2012 para evitar sua extradição para a Suécia para responder por supostos crimes sexuais que ele nega.

Moreno é partidário de manter o asilo, mas Lasso disse à AFP que, se chegar ao poder, vai retirá-lo.

Esta eleição também representa um novo teste para a esquerda da América Latina, após a guinada à direita em Brasil, Argentina e Peru.

Os equatorianos poderão frear o que Correa define como a “restauração conservadora” na região. Mas, se não o fizerem, deixarão sozinhas a Venezuela de Nicolás Maduro e a Bolívia de Evo Morales.

A corrupção, que está atingindo políticos da região, foi se instalando pouco a pouco como um tema durante a campanha.

São casos como o da petrolífera estatal Petroecuador, que envolveu um ex-ministro de Correa, e os dos supostos subornos da empreiteira Odebrecht a funcionários equatorianos, contabilizados em 33,5 milhões de dólares.

Os eleitores dirão se são “distorções” da campanha, como afirma Correa.

“Ocorreu corrupção neste e em muitos governos, talvez nos anteriores muito mais corrupção do que agora, mas neste momento estamos vendo o que se desenrolou”, comenta, resignada, a funcionária Nora Molina após votar também no norte de Quito.